segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Pequena confissão

Preciso fazer uma confissão. Acho que ela pode soar meio herege, mas uma coisa que me assombra nos evangelhos é que os discípulos eram meio burrinhos. Ou no mínimo tinham algum problema relacionado à atenção. Talvez se um psicólogo moderno voltasse no tempo e os conhecessem provavelmente os diagnosticariam com TDAH.

Um dos exemplos mais claros é um diálogo bizarro entre Jesus e seus discípulos, que é registrado em Marcos 10. Repare que Jesus faz um comunicado da maior importância: Caros discípulos, estamos indo para Jerusalém onde vou ser torturado, morto e ressuscitar. E de fato este não é um comunicado sem importância, mas eis que dois dos discípulos, Tiago e João, ouvindo isso, fazem um pedido para Jesus: Deixe que nos assentemos um à sua direita e outro a sua esquerda na sua glória.

Ora bolas! Alguém tem que dar uma cutucada bem forte nesses dois! Jesus acaba de falar que ia morrer e eles estão preocupados com coisas como conseguir poder (por que sentar-se a direita e a esquerda de um rei implica em poder e autoridade)! É no mínimo um pedido insensível de alguém que definitivamente não estava prestando muita atenção no que estava acontecendo. E não demora muito para os outros discípulos ficarem indignados com Tiago e João, não por que achassem o pedido falta de tato, mas por que também queria estar nesse lugar de autoridade e poder.

Acho que esse é o momento oportuno para fazer outra confissão: Todo esse lance de chamar os apóstolos de burrinhos e zoar com a cara deles é uma forma desesperada do meu coração de maquiar o fato de que no fundo, sou muito semelhante a eles. Quantas vezes minhas atitudes e ações não são orientadas para ter controle e poder sobre as coisas? Quantas vezes meu coração não cede a desejos infantis de querer que as pessoas façam as coisas do meu jeito ou que elas possam ceder aos meus caprichos. Infelizmente, tem um ditadorzinho que mora dentro de mim.

Mas Jesus nos lembra de algo bastante importante: Entre nós a parada não pode ser assim. Isso mesmo, nós que fomos chamados por Ele não podemos viver almejando poder ou coisas desse tipo, pois o reino dEle é um reino de servos. Ele mesmo veio para servir e entregar a sua vida nós. Então por que nós queremos chegar atrasados e sentar na janela do ônibus?


O fato é que Jesus é uma figura que nos deixa imensamente sem graça. Nos deixa sem graça porque ele é exatamente o oposto do que somos, mesmo quando sabemos que precisamos ser como ele é. Mas, ainda bem que Jesus é uma pessoa que nos deixa imensamente com graça. Nos deixa com graça porque é somente pela graça que nos constrange e muda é que podemos ser um pouquinho parecidos com ele a cada dia. Porque a cada dia que passa sinto o ditadorzinho dentro de mim sendo crucificado – embora não sem gritos de protesto.

domingo, 27 de novembro de 2016

Apenas mais um Blog

Sempre que começo um blog eu o abandono tempos depois. Por que desta vez seria diferente? Não sei. Mas creio que este é um momento oportuno para voltar a escrever em um blog. E de fato, a ideia é que esse seja apenas mais um blog, onde eu, um sujeito que talvez você leitor nem conheça (ou talvez conheça e só esteja lendo esse texto agora por que fiz uma pressão psicológica em você para que leia) rascunha e escreve algumas de suas esplêndidas patéticas ideias sobre a vida e desabafa um pouco sobre os problemas da vida real.

Assim então inauguro apenas mais um blog: Vida em missão.  Uma espécie de diário de bordo da vida de mais um peregrino que estando perdido foi encontrado.  E é por ter sido encontrado que este blog se chama Vida em missão, pois a viagem da minha vida ganhou uma nova direção quando Ele me encontrou.

 É muito claro que todo esse lance de viagem, peregrino, ser encontrado é quase um plágio do que John Bunyan escreveu em “O peregrino” (E nesse momento todos me olham e dizem, nossa, mas que falta de criatividade) e que C. S Lewis também esboçou em Viagem do Peregrino da Alvora (Agora quero ver dizer que o C. S. Lewis também não tinha criatividade). Não é minha culpa que estes eram homens que entendiam das coisas, e muito menos é minha culpa que a realidade que temos em Cristo é a mesma para todos que se encontram com ele.

O fato é que a vida dos peregrinos em Cristo é marcada por uma missão. Uma missão que de fato não é nossa, mas que fomos gentilmente convidados a participar. E este é apenas mais um diário de bordo sobre essa vida em missão, que vai conter algumas devocionais e reflexões sobre a vida e as crises de mais um peregrino entre tantos.