quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Que 2017 não seja isso tudo!

Acho que nunca um ano foi tão mal visto na internet como 2016. Sim, reconheço que foi um ano bastante difícil. Crise econômica, crise politica, crise politica que alimenta ainda mais a crise econômica, gente famosa que gostamos morrendo, acidentes de aviões. Tudo isso gerou uma sombria atmosfera para este ano.

Eu mesmo fui afetado pela crise, passei por um triste momento de luto da família, me decepcionei com algumas pessoas, decepcionei algumas pessoas (sim, todos nós vamos decepcionar algum dia) e passei alguns momentos de sufoco – até assalto para variar (meu amigos que o digam). Mas pera lá, que o ano também teve muita coisa boa. Comecei a estudar inglês, fiz cursos edificantes para a minha fé, tomei algumas decisões que vão afetar o resto da minha vida, tive a oportunidade de participar de eventos incríveis, conheci um bocado de gente nova que vou levar pro resto da vida e apesar de não ter conseguido cultivar algumas amizades como gostaria eu acabei cultivando e conhecendo mais outras amizades que antes não dava tanta atenção.

Olhar para todo esse panorama me faz pensar como talvez seja uma injustiça com 2016 taxar ele como um ano assim tão ruim. Sei que cada um teve as suas dificuldades, mas creio que também teve suas alegrias. Isso me lembra de uma passagem curiosa de Eclesiastes, que diz “Quando os dias forem bons, aproveite-os bem; mas, quando forem ruins, considere: Deus fez tanto um quanto o outro, para evitar que o homem descubra qualquer coisa sobre o seu futuro.” (Ec 7.14).  Talvez isso nos lembre de que 2016 foi simplesmente um ano comum. Por que todo ano precisa carregar aquelas marcas de sofrimento e também aqueles momentos de alegria – por que a vida é assim com momentos bons e ruins.

Talvez você olhe para as coisas ruins do seu ano e pense que ele não tenha valido a pena. Mas um ditado que li alguma vez em algum lugar que eu não lembro diz que “o que não nos mata nos fortalece”. E talvez essa seja uma verdade importante que podemos ter aprendido com este ano: Nossos sofrimentos nos trarão aprendizado e crescimento. Talvez “a versão bíblica desse ditado” seja ainda mais clara neste sentido: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm8.28). Isso nos ajuda a compreender que de fato, não precisamos que tudo seja um mar de rosas, mas que as tempestades têm algum lugar na nossa vida – e que elas também são dádivas de Deus.Então, nesta perspectiva não quero que 2017 seja um ano de felicidades, ou de prosperidades e esse tanto de coisa que a gente deseja no ano novo. Isto por que numa perspectiva realista já sei que não vai ser. Talvez ele seja menos problemático que 2016, mas creio que para cada um de nós ele vai trazer os seus desafios, seus sofrimentos e suas alegrias. Não por que 2017 tenha algo de especial, mas simplesmente por que a vida é assim debaixo do sol.

O meu desejo para 2017 não é que ele seja um ano melhor. É que eu seja uma pessoa mais contente neste ano. Contente no sentido de saber me contentar e me alegrar com as coisas que receberei do meu Pai celeste neste ano – inclusive os momentos difíceis que também sei que virão. Que 2017 seja ano de ser mais grato à Deus, de aprender com os meus erros e acertos e de servir mais o próximo.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Ei, pare de querer controlar a vida!

Eclesiastes foi um livro da Bíblia que sempre me impressionou. Estando na categoria de sabedoria, ele nos causa certo estranhamento, justamente por ser tão diferente de provérbios, o livro sapiencial por excelência. E creio que isto acontece justamente pelo fato de que Eclesiastes é excessivamente realista. E quando digo realista, quero dizer realista mesmo. Salomão não tem a menor intenção de maquiar a realidade ou nos vender uma imagem de que a vida na terra é um desenho dos ursinhos carinhosos.

A vida é cruel pois o tempo passa, a morte vem para todos e coisas ruins acontecem a pessoas boas (e coisas boas às ruins). Aparentemente a vida é randômica, o sofrimento vem para todos, assim como as coisas boas também vem para todos. Toda essa realidade é altamente confusa, como o vapor que turva nossa visão e não podemos compreender, vapor esse que traduzido como vaidade é quase que o refrão do livro – Tudo é vaidade. Que tipo de sabedoria podemos tirar de um quadro desses?

O fato é que apesar de toda essa loucura que o mundo é, existe um Deus incrivelmente sábio que o governa, e toda essa loucura é apenas decorrente do fato de que não podemos entender como Deus em sua providência ordena todas as coisas. Assim a incrível sabedoria de Eclesiastes é para nós o lembrete perene de que a vida nem sempre –ou quase  nunca – é do jeito que a gente quer que seja. E não precisamos ficar lutando para que ela seja.

A receita de uma vida sábia é então não lutar contra a dura realidade da vida, mas antes, celebrar a providência de Deus em gratidão e contentamento. Compreender que não podemos lutar contra os decretos de Deus, e que ainda que tudo pareça sem sentido, Deus fez uma criação maravilhosa da qual podemos desfrutar é algo fantástico! Isso nos leva a uma vida de verdadeira humildade, uma vez que podemos perscrutar um pouco da grandeza de Deus. E viver em contentamento, obediência e gratidão são o resumo do Temor do Senhor, o principio da sabedoria.