Eclesiastes foi um livro da Bíblia que sempre me
impressionou. Estando na categoria de sabedoria, ele nos causa certo
estranhamento, justamente por ser tão diferente de provérbios, o livro
sapiencial por excelência. E creio que isto acontece justamente pelo fato de
que Eclesiastes é excessivamente realista. E quando digo realista, quero dizer
realista mesmo. Salomão não tem a menor intenção de maquiar a realidade ou nos
vender uma imagem de que a vida na terra é um desenho dos ursinhos carinhosos.
A vida é cruel pois o tempo passa, a morte vem para todos e
coisas ruins acontecem a pessoas boas (e coisas boas às ruins). Aparentemente a
vida é randômica, o sofrimento vem para todos, assim como as coisas boas também
vem para todos. Toda essa realidade é altamente confusa, como o vapor que turva
nossa visão e não podemos compreender, vapor esse que traduzido como vaidade é
quase que o refrão do livro – Tudo é vaidade. Que tipo de sabedoria podemos
tirar de um quadro desses?
O fato é que apesar de toda essa loucura que o mundo é,
existe um Deus incrivelmente sábio que o governa, e toda essa loucura é apenas
decorrente do fato de que não podemos entender como Deus em sua providência
ordena todas as coisas. Assim a incrível sabedoria de Eclesiastes é para nós o lembrete
perene de que a vida nem sempre –ou quase
nunca – é do jeito que a gente quer que seja. E não precisamos ficar
lutando para que ela seja.
A receita de uma vida sábia é então não lutar contra a dura
realidade da vida, mas antes, celebrar a providência de Deus em gratidão e
contentamento. Compreender que não podemos lutar contra os decretos de Deus, e
que ainda que tudo pareça sem sentido, Deus fez uma criação maravilhosa da qual
podemos desfrutar é algo fantástico! Isso nos leva a uma vida de verdadeira
humildade, uma vez que podemos perscrutar um pouco da grandeza de Deus. E viver
em contentamento, obediência e gratidão são o resumo do Temor do Senhor, o
principio da sabedoria.
nice.
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