quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Ei, pare de querer controlar a vida!

Eclesiastes foi um livro da Bíblia que sempre me impressionou. Estando na categoria de sabedoria, ele nos causa certo estranhamento, justamente por ser tão diferente de provérbios, o livro sapiencial por excelência. E creio que isto acontece justamente pelo fato de que Eclesiastes é excessivamente realista. E quando digo realista, quero dizer realista mesmo. Salomão não tem a menor intenção de maquiar a realidade ou nos vender uma imagem de que a vida na terra é um desenho dos ursinhos carinhosos.

A vida é cruel pois o tempo passa, a morte vem para todos e coisas ruins acontecem a pessoas boas (e coisas boas às ruins). Aparentemente a vida é randômica, o sofrimento vem para todos, assim como as coisas boas também vem para todos. Toda essa realidade é altamente confusa, como o vapor que turva nossa visão e não podemos compreender, vapor esse que traduzido como vaidade é quase que o refrão do livro – Tudo é vaidade. Que tipo de sabedoria podemos tirar de um quadro desses?

O fato é que apesar de toda essa loucura que o mundo é, existe um Deus incrivelmente sábio que o governa, e toda essa loucura é apenas decorrente do fato de que não podemos entender como Deus em sua providência ordena todas as coisas. Assim a incrível sabedoria de Eclesiastes é para nós o lembrete perene de que a vida nem sempre –ou quase  nunca – é do jeito que a gente quer que seja. E não precisamos ficar lutando para que ela seja.

A receita de uma vida sábia é então não lutar contra a dura realidade da vida, mas antes, celebrar a providência de Deus em gratidão e contentamento. Compreender que não podemos lutar contra os decretos de Deus, e que ainda que tudo pareça sem sentido, Deus fez uma criação maravilhosa da qual podemos desfrutar é algo fantástico! Isso nos leva a uma vida de verdadeira humildade, uma vez que podemos perscrutar um pouco da grandeza de Deus. E viver em contentamento, obediência e gratidão são o resumo do Temor do Senhor, o principio da sabedoria.




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